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Textos Reflexivos

Educando os filhos para a vida deles

Seria muito bom se a autonomia dos filhos fosse um processo natural e acontecesse com o passar do tempo. Mas, sabemos que isso depende de educação, potência e coragem dos pais.
A cada fase do desenvolvimento, a criança adquire uma habilidade até que domina várias. Cabe à família estimular o processo que ocorre por meio de acertos e erros. Isso vale para tirar a fralda, andar, comer, guardar os brinquedos, realizar deveres escolares, etc. Cada etapa vencida nutre a autoconfiança, o que vemos, por exemplo, quando a criança de 3 anos tenta se vestir, e, aos 4 anos, quase nem precisa de ajuda. Aí os pais devem comemorar esses feitos e não abandonar a supervisão. Dormir é outro desafio, já que à noite os temores aparecem e a maioria pede a companhia dos pais ou logo pulam para a cama deles. Aí vale estabelecer rotinas afetivas e combinar o número de estorinhas a serem contadas. O importante é que se acostumem a dormir sozinhas, o que fará com que, na adolescência, elas tenham condições de regular o repouso.
A autonomia é um processo que se constrói gradualmente e, muitas vezes, os pais não têm consciência disso, já que a falta de autonomia repercute na adolescência, quando afloram os problemas; e não está relacionada ao fato de termos feito as lições por eles, protegido demais, como quando a criança não quer acordar cedo, e a mãe a veste e só a acorda perto do horário da escola para que dormisse um pouco mais.
Tais fatos impedem o crescimento autônomo e sorrateiramente enviam a mensagem que ela pode fazer o que quer. Assim, temos crianças chatas, birrentas e dependentes. A educação voltada para a autonomia não significa liberdade geral. Liberdade também se aprende. A noção de limite é necessária tanto quanto o afeto. Pois, se a criança associar que amar é ouvir “sim” o tempo todo, reproduzirá este padrão no futuro, reagindo negativamente a qualquer “não” recebido e não vai adquirir a flexibilidade necessária para negociações. Assim, sua capacidade de tomar decisões acertadas será afetada, o que dificultará, por exemplo; que faça uma dieta ou recuse drogas, já que nunca experimentou frustrações na infância nem aceitou negativas a seus pedidos.
Parafraseando a autora Aratangy, “a ilusão de que o filho é nosso se desfaz a cada dia e, na adolescência, acaba de vez. Portanto, é melhor educá-los para a vida”. A deles.
                                                                                                              MARIA GLADYS RICARDI VERA – PSICÓLOGA



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